Pelo final de 1944 o avanço aliado sobre a Alemanha fora retardado. Apesar de uma ofensiva de porte na metade de novembro, ainda estavam a 50 km do setor vital do Reno, que incluía o Ruhr, o coração do esforço industrial de guerra da Alemanha. O bombardeio aliado, de noite e de dia, estava tornando cada vez mais difícil manter os níveis necessários de produção, mas a máquina de guerra de Hitler não pararia até que as fábricas do Ruhr fossem postas fora de ação.
Nos exércitos aliados havia um espírito de efervescente otimismo. A França e a Bélgica haviam sido libertadas com surpreendente facilidade. Para que a linha alemã se rompesse definitivamente, bastava apenas continuar mantendo a pressão.
Houve alguma consternação, portanto, quando as forças alemãs irromperam nas Ardennes, a 16 de dezembro. O que estava acontecendo? Aquilo era um gesto de desafio ou uma ofensiva de porte? Quando os aliados os detiveram, os alemães haviam cavado uma brecha de 105 km de profundidade no território sob domínio aliado.
Hitler estivera planejando uma contra-ofensiva durante meses. Havia reunido e reequipado suas últimas reservas de homens e blindados para um esquema que ele próprio idealizara integralmente e que planejara até o último detalhe. Mesmo os generais que escolheu para executar suas últimas ordens só puderam fazer ligeiras modificações e, ainda assim, só depois de prolongado raciocínio junto com ele. O plano era inspirado, ainda que excessivamente ambicioso. Manteuffel e Dietrich irromperiam nas Ardennes com dois exércitos Panzer e, seguindo para o norte através de Antuérpia e Bruxelas, dividiriam os exércitos e precipitariam um segundo Dunquerque. Hitler contava com o mau tempo para restringir as operações aéreas dos Aliados contra o avanço de seus exércitos.
Apesar das desagradáveis lembranças do aparecimento de surpresa que os alemães fizeram nas Ardennes em 1940, numa catastrófica velocidade, a linha aliada nesse setor estava fraca, com apenas quatro divisões cobrindo uma extensão de 130 km. Os movimentos de tropas alemãs na região tinham sido relatados, mas isso não chegou a provocar reação nos Aliados. Quando a irrupção ocorreu, seu primeiro impacto e os progressos iniciais foram consideráveis.
Hitler preparou o caminho para seus exércitos enviando na frente alguns comandos que, usando uniformes americanos e viajando em veículos americanos, infiltraram-se nas fileiras inimigas, criando confusão com táticas de rompimento como cortar fios telefônicos ou apontar placas de sinalização na direção errada. Quando alguns desses comandos foram capturados, gerou-se uma confusão ainda maior, pois como podia um alemão vestido como americano ser diferenciado de um americano? Ninguém escapou à peneira.
As penetrações iniciais efetuadas pela ofensiva levaram os alemães até Bastogne, uma vital estrada central, no dia 19 de dezembro. Os defensores americanos mantiveram-nos a distância, porém, e em poucos dias Manteuffel foi forçado a contornar a cidade, que agüentou até que o avanço fosse detido. Mas a investida para oeste estava se retardando. Os Aliados estavam aumentando a pressão a cada hora, os veículos atolavam na lama, e o velho fantasma da falta de combustível levantava a cabeça de novo. Finalmente, em 26 de dezembro, os alemães foram detidos. Houve pesadas perdas de ambos os lados, e os americanos tiveram seu combate mais violento desde os desembarques na Normandia, enquanto a brecha aberta pelas pontas de lança alemãs tinha mais de 100 km de profundidade e 75 de largura. No seu ponto mais distante de avanço, chegaram a apenas 6,5 km do Meuse, em Dinant.
Embora os Aliados tivessem toda a superioridade agora, Hitler recusou-se a autorizar uma retirada. Pelo contrário, lançou novas tropas, desperdiçando suas magras reservas, apenas para vê-las rechaçadas dia após dia a um alto preço. Então, em janeiro, como a pressão na sua frente oriental se tornasse ameaçadora, ele retirou todas as forças disponíveis para lança-las contra os russos. A contra-ofensiva ganhara apenas uma prorrogação de poucas semanas, e custara a Hitler uma grande parte de suas forças remanescentes.
Então os Aliados se atiraram para a frente. A 7 de março o 3o Exército de Patton atingiu o Reno em Coblenz. Mais ao norte, o 1o Exército tomou audaciosamente a ponte do Remagen, perto de Bonn, que ainda estava substancialmente intata e permitiu uma travessia, embora limitada. No dia 22 Patton cruzou o Reno em Oppenheim e no dia 23 teve início o gigantesco assalto de Montgomery contra o Reno, perto de Weael. A última barreira caiu e, em 11 de abril de 1945, os exércitos aliados, atingiram o Elba, a apenas 96 km a oeste de Berlim.
Retomando sua ofensiva contra o Oder em 16 de abril, Zukov lançou seus exércitos através das defesas alemãs, e uma semana depois os russos estavam combatendo, nas ruas de Berlim, os últimos e desesperados remanescentes das tropas de Hitler. Em 25 de abril Berlim estava cercada, e dois dias mais tarde os russos encontraram os Aliados no Elba.
Restavam as formalidades da capitulação. Hitler envenenou-se no dia 30, no seu bunker de Berlim, e coube aos seus generais concluir os arranjos. No dia 2 de maio as forças alemãs na Itália se renderam, e no dia 4 o Almirante Doenitz assinou o documento de capitulação no QG de Montgomery em Lüneberg. Mais tarde ele e seus colegas seriam levados a julgamento em Nuremberg, a expressão da severa condenação do Terceiro Reich pelo mundo.
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Nenhum comentário:
Postar um comentário