Vários fatores contribuíram para a decisão aliada de invadir a Sicília e a península italiana. Quiseram garantir suas comunicações no Mediterrâneo; formar um segundo front, conforme Stalin solicitava, que desviasse as forças alemãs do front russo; e fazer pressão sobre os italianos e alemães, de modo que os preparativos para os planejados desembarques na Normandia pudessem ser completados.
Depois da vitória final na África do Norte, os americanos insistiram para que os desembarques na Normandia ocorressem o mais depressa possível, mas Churchill estava convencido de que uma rápida investida contra o que chamava de "o ponto fraco" da Europa poderia ter um efeito decisivo, e os planos para a campanha na Itália foram avante. O supremo comandante das operações era Eisenhower, com Alexandre como vice, enquanto os exércitos ingleses e americanos eram comandados por Montgomery e Patton, respectivamente.
A campanha acabou tendo êxito, embora atrasada e com conseqüências menos significativas do que as desejadas. Entre as razões do seu sucesso nas fases iniciais estavam o fato de Hitler e Mussolini terem enviado tropas em excesso para a África do Norte nos estágios finais da campanha do deserto e depois não as terem evacuado de volta para a Itália; a relutância de Mussolini em aceitar auxílio alemão para a defesa da Itália; e a própria extensão da linha costeira, indo da Grécia ao Atlântico, que Hitler tinha que defender.
As operações se iniciaram com um assalto na Sicília, a 9 de julho de 1943, realizado por tropas americanas e inglesas lançadas do ar. Infelizmente houve tempestades e o assalto foi dispersado, com muitos planadores carregados de tropas acabando no mar, mas essa natureza casualmente dispersa do ataque causou o feliz efeito de provocar confusão entre os defensores. O principal ataque marítimo começou no dia seguinte, 10 de julho. As forças britânicas comandadas por Montgomery desembarcaram na extremidade sudeste da Sicília, enquanto o exército americano de Patton desembarcava na costa sul, cerca de 32 km para oeste. A resistência italiana aos desembarques foi facilmente superada, e ambas as alas logo estavam avançando para o interior. Montgomery dirigiu-se para Messina. Patton, enquanto isso, fez seus homens contornar a costa oeste e depois rumar para leste, tomando Palermo. As tropas americanas foram as primeiras a entrar em Messina, a 17 de agosto, quando as forças remanescentes alemãs e italianas já tinham atravessado o estreito, retirando-se para a península.
A queda da Sicília acabou pondo termo à vontade do povo italiano de continuar participando da guerra. Mussolini foi deposto por um golpe de Estado e seu regime fascista caiu instantaneamente. A 3 de setembro, dia em que o 8o Exército de Montgomery desembarcou na ponta da bota italiana, os italianos assinaram um armistício com os Aliados. Entretanto, os alemães estavam resolvidos a dar prosseguimento à luta e já havia tropas se movimentando para a Itália e para o sul, pois Hitler não deixara de prever o colapso da resistência italiana.
Os desembarques no sul da Itália, na ponta e no calcanhar da bota, depararam com pouca resistência. Tarento foi tomada a 9 de setembro, o valioso porto de Bari no dia 22, e as forças britânicas moveram-se firmemente, ainda que com lentidão, para o norte. Mas essa operação era diversionária, destinada a iludir os alemães, pois o desembarque principal deveria ocorrer em Salerno, na costa oeste, seguido de um avanço sobre Roma. A 9 de setembro, o General Mark Clark, comandando o 9o Exército, desembarcou em Salerno e encontrou uma resistência alemã tão forte que, numa determinada altura, começou a considerar a possibilidade de se retirar das praias. Os alemães não tinham sido logrados pelos desembarques no sul, e lutaram furiosamente para deter o estabelecimento de uma cabeça-de-ponte e subseqüentes incursões para o interior. Porém, ajudadas por uma barragem naval altamente eficaz efetuada por pesados canhões navais ao largo (incluindo os devastadores canhões de 381 mm dos navios de guerra britânicos Warspite e Valiant), as forças de Clark foram capazes de passar, e na primeira semana de outubro tinham atingido o rio Volturno, ao norte de Nápoles, que passou para as mãos dos Aliados. Aqui os alemães se detiveram algum tempo, antes de recuar para a linha Gustav, uma barreira defensiva ligeiramente mais para o norte, que o comandante alemão, Marechal-de-campo Kesselring, erguera às pressas. A fortaleza nessa linha, que corria da costa oeste até leste, era Monte Cassino, guardando a vital Rodovia 6, que levava a Roma. Aqui o avanço aliado foi detido, e houve um embate que deveria durar até a primavera de 1944. Os Aliados desferiram assaltos a vários pontos da linha em novembro e dezembro, mas todos falharam, com pesadas perdas.
O próximo esforço de peso para desalojar os alemães de suas posições ocorreu em janeiro de 1944. No dia 12 desse mês foi desfechado um assalto importante contra a fortaleza de Cassino e outros pontos ao longo da linha Gustav; no dia 22 as forças aliadas fizeram um desembarque em Anzio, na costa oeste, atrás da linha Gustav. O plano era que os homens de Anzio atacassem Cassino pela retaguarda e ajudassem as forças provenientes do sul, que marchavam igualmente sobre Cassino, a atravessar a defesa. Entretanto, a manobra falhou. O ataque contra Cassino foi rechaçado e a força de Anzio, cercada pelos alemães, foi empurrada para trás, rumo ao mar, embora tenha dado um jeito para agüentar até a eventual tomada de Cassino, que ocorreria em maio.
A 11 de maio, após meses de preparativos, os Aliados desfecharam um ataque final contra a linha Gustav. O front não tinha menos que 21 quilômetros de largura, e essa tática pegou os alemães de surpresa. No dia 18, o regimento polonês capturou a fortaleza de Cassino e expulsou os defensores alemães do entulho a que fora reduzido o mosteiro em ruínas; no dia 23 os alemães abandonaram a linha Gustav. A tropa de Mark Clark em Anzio agora podia prosseguir da sua longamente defendida cabeça-de-ponte, e era intenção de Alexandre que essa tropa avançasse para leste, a fim de rodear as forças alemãs que estavam deixando a linha Gustav. Clark, porém, tinha outras idéias. Separando apenas uma divisão para tentar o cerco, efetuou uma conversão para o norte, com quatro divisões, e dirigiu-se para Roma, onde seus homens entraram em 4 de junho, depois de Kesselring tê-la declarado cidade aberta, preferindo isso a vê-la destruída em combate.
Dois dias após a entrada em Roma, em 6 de junho, começou a invasão da Normandia. A campanha italiana tivera um êxito limitado no seu objetivo de tornar Hitler incapaz de organizar sua resistência no norte da França, e em si mesma só produziu resultados desapontadores.
Os fatos que se seguiram à captura de Roma não contribuíram em nada para diminuir o desapontamento dos Aliados. As forças de Kesselring defenderam cada centímetro do caminho por onde os Aliados avançaram, e embora Alexandre tivesse pretendido alcançar a próxima linha defensiva alemã, a linha Gótica, em 15 de agosto, sua ofensiva contra essa linha não foi aberta antes do dia 25. Fez-se um progresso muito lento, e após meses de luta, por volta do Natal de 1944, a ofensiva se exauriu. Os Aliados continuaram na defensiva a fim de organizar forças para uma investida maior na primavera. Essa investida ocorreu na metade de abril, e no final desse mês, com a linha rompida e a maior parte das forças alemãs cercada, a resistência chegou ao fim. A 2 de maio os alemães capitularam.
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